Fevereiro 2007


Ellen Gracie alerta contra perigo da comoção

Tribuna da Imprensa

ellen3.jpg

A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ellen Gracie Northfleet, disse ontem que não é ideal o Congresso Nacional discutir sob a emoção da morte do menino João Hélio Fernandes Vieites, de 6 anos, a proposta de mudar a legislação penal.

“O Congresso tem inteira liberdade para deliberar sobre o que melhor lhe parecer. Geralmente se discute mudança na legislação sob um clima de tensão, de emoção. Isso não é necessariamente a melhor forma de discutir legislação”, afirmou a ministra. Segundo ela, as modificações na legislação têm de ser precedidas de um amplo debate.

“A questão da criminalidade é bem mais ampla, vai bem além do estabelecimento de penas, do endurecimento dos regimes prisionais. Ela é bem mais ampla do que isso, deveria ser tratada de forma bem ampla”, disse.Ontem, Ellen Gracie reafirmou que é contra a redução da maioridade penal.

“O crime não foi cometido apenas por menores. Apenas um menor envolvido num grupo maior de pessoas suspeitas. Direcionar tudo em relação aos menores me parece que é uma atitude persecutória em relação à nossa infância, que merece educação, oportunidades de crescimento, de emprego, de formação profissional para que não caia no mundo do crime”, afirmou.

Não é só o Pelé que calado é um poeta. A ministra talvez não saiba que em 2004 Carlos Eduardo foi condenado por roubo. Ficou dois anos preso e estava em regime semi-aberto, mas não voltou para a prisão. Resta saber quantos seguranças lhe dão tanta tranquilidade quando a maioria dos brasileiros está em grande comoção, a comoção perigosa, segundo ela.

Fandanguillo, de Federico Moreno Torroba

segovia3.jpg

Viajando pelo mundo, Segovia e seu violão tornaram-se cada vez mais populares. Compositores como Villa-Lobos começaram a compor peças originais para o violão (for the guitar). Com sua misteriosa e melancólica mescla de dissonâncias e fraseado no estilo violoncelo, as composições de Villa-Lobos, em particular, parecem estar perfeitamente de acordo com o violão. Segovia começou também a fazer transcrições de obras-primas para o violão. E de fato sua transcrição da Chaconne de Bach tornou-se uma das mais famosas e difíceis peças para interpretar. Sua transcrição da Chaconne deu a impressão de que Bach pretendia que a peça fosse tocada ao violão ao invés do violino.

Havia quem se espantasse pelo fato de Segovia não ter dificuldade para tocar violão apesar dos seus dedos volumosos, como se pode ver no vídeo. Ou como dizia alguém, tocar violão é fácil, as cordas é que atrapalham.

Segovia não tinha muita paciência com quem tocava pouco, isso me pareceu ou talvez não estivesse de bom humor quando certa vez lhe perguntaram: – Porque o senhor toca essa peça com tanta velocidade?
Ele respondeu apenas: – Porque eu posso.

Seus críticos lhe apontavam também uma interpretação melosa, onde ele colocava as cordas para cantar, sem a frieza e o rigor das partituras. Essa crítica ele nunca aceitou.

segovia.gif

Resumindo Segovia, ele é sinônimo de violão assim como Paganini o é do violino. Paganini compunha peças grandiosas para violino e, imaginem vocês, também para violão. Tinha um parceiro violonista que interpretava com ele os duos violino-violão que compunha. Esse violonista, também italiano, era Luigi Legnani. Cansado de apenas fazer a parte do acompanhamento ao violão, pediu a Paganini que escrevesse uma peça onde o violão estivesse em primeiro plano. E Paganini compôs a Grande Sonata em Lá Maior, para violão e violino. Paganini não dispensava nem o virtuosismo nem o exibicionismo. A parte do violão ficou maravilhosa e ele, como se diz no popular, deu uma perna de anão no Legnani e ficou com o violão. Coube a Legnani fazer o acompanhamento… ao violino.

Paganini deixou uma frase célebre: “O violão é o instrumento mais fácil de se tocar mal. E o mais difícil de se tocar bem“.

O desenho e a foto são da página Violão Mandrião. Os relatos sobre Paganini eu já conhecia. Quis abreviar meu trabalho copiando um trecho da página História e genealogia da família Paganini mas o dono não permitiu e me mimoseou com um popup que dizia: “Dançou, meu irmão”. Achei uma bobagem. O Globo on line também não permite que suas páginas sejam copiadas. Mas exibe um popup mais civilizado.

Agora assista:

A festa da China

jintao_bush1002712.jpg

Andrés Piedragil Gálvez, Cidade do México

Antes de seguir com a transcrição quero deixar claro que não sou chinês nem mexicano nem quero discutir se a China é ou não uma economia de mercado, já que este espaço é pequeno para isso. Quem quiser leia no ADITAL, Economia de mercado. O mundo começa a ficar com medo da China.

O Natal trouxe más notícias para a economia mexicana: segundo dados do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, a China já desbancou o México como segundo maior sócio comercial da nação norte-americana, uma posição que a economia mexicana ostentava com orgulho.
As cifras acumuladas para o período de janeiro a novembro de 2006 indicam que o intercâmbio comercial entre os Estados Unidos e a China alcançou US$ 313,62 bilhões, enquanto o comércio com o México ficou em US$ 307,26 bilhões. A ultrapassagem na verdade ocorreu em outubro, quando as exportações chinesas aos EUA chegaram a US$ 235 bilhões e as do México ficaram em US$ 165 bilhões. Embora seja doloroso, o dado não foi uma surpresa. Um relatório recente da Cepal diz que, diferentemente do que ocorre com a maioria dos países da região, a China concorre diretamente com o México nos mercados internacionais. “O México se especializa na exportação de tecnologias da informação, artigos eletrônicos de consumo, componentes eletrônicos, vestuário, equipamentos de transporte e produtos industrializados”, diz o documento.
A ultrapassagem chinesa “confirma a necessidade urgente de se aprovar reformas estruturais pendentes, para que o México aumente seu crescimento econômico e sua produtividade, assim como produzir mercadorias com maior valor agregado”, diz um documento do Centro de Estudios Económicos del Sector Privado. “A situação é alarmante”, diz um porta-voz do Consejo Mexicano de Comercio Exterior. “Perdemos posições em diferentes mercados e regiões.”

”Chegou a hora de a economia brasileira começar a crescer”
Primeiro mandato de Lula arrumou a casa e estabilizou os indicadores económicos. Agora, está na altura de a economia disparar.

A Bolsa de Valores de São Paulo, a Bovespa, vive o melhor momento da sua história. Os índices batem recordes, tal como os volumes de transação de ações, e as empresas fazem fila para entrar no mercado. Nesta conjuntura, Gilberto Mifano, o superintendente geral da Bovespa, considera, em entrevista, que as empresas europeias – com as portuguesas à cabeça – deveriam olhar mais para a bolsa de valores como uma alternativa para o financiamento dos seus planos de investimento. Sobre a atual conjuntura econômica do Brasil, afirma que o primeiro mandato de Lula foi dedicado a “arrumar a casa” e que chegou a altura da economia começar a crescer.

Mas falta-vos ainda atingir os ritmos de crescimento de países como a Rússia ou a China… Espera que isso aconteça neste segundo mandato do Presidente Lula?
Foi nisso que o eleitorado brasileiro apostou e é isso que esperamos ver. Essa é a grande promessa do Governo Lula no segundo mandato. Era preciso arrumar a casa e deixar tudo em ordem para começar a crescer. Isso foi feito no primeiro mandato.
Supostamente é agora que devemos crescer. É nisso que apostamos e provavelmente é nisso que os investidores estrangeiros também acreditam e que justifica que, por exemplo, na semana passada, tenhamos batido o recorde de valorização do nosso principal índice. É isso que faz com que o nosso volume de negociação diária esteja a bater os dois mil milhões de dólares, é isso que atrai as ofertas que tivemos nos últimos três anos, em que, em média, cerca de 70% das acções tem sido subscrita por investidores estrangeiros, sem necessidade de uma oferta no exterior. Apenas uma em cada dez dessas ofertas incluiu uma oferta fora do Brasil.

Esta entrevista foi dada para o DiarioEconomico.com, de Portugal. Cada um acredita no que quer. Até num pavão enfeitado. É claro que o eleitorado brasileiro não fez aposta nenhuma. Quem faz uma aposta sempre acompanha o resultado. Não é o que está acontecendo. Há coisas mais importantes para se acompanhar – o carnaval está aí mesmo.

A propósito de China e de Portugal: em 2008 os carros chineses chegam a Portugal. O artigo a seguir (acima) também é sobre a China.

Novo presidente da Câmara enterrará escândalos

Arlindo Chinaglia condenou o que chamou de “críticas injustas ao Parlamento”

fotoa.JPG

O discurso feito pelo novo presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), antes da votação, deu sinais claros de que o petista quer enterrar os escândalos que marcaram a legislatura passada e o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Chinaglia indicou também que não se esforçará para reabrir processos de cassação de mandato dos suspeitos de envolvimento com o mensalão que renunciaram e, eleitos, voltaram à Câmara.

“A página da crise está virada, é da legislatura passada. Não podemos admitir que um deputado que não tem nada a ver com a crise seja caracterizado (como suspeito) por outro deputado”, discursou Chinaglia.

O petista também repudiou “ataques injustos” aos Parlamento. “Aceitaremos todas as críticas, exceto as injustas, que atacam indevidamente a instituição. Não temos que ter medo da crítica, mas não vamos assistir passivamente a ataques injustos”, afirmou.

Apoiado. Os parlamentares são dignos e merecedores de todo o crédito de confiança. Mas experimentemos gritar: “Pega ladrão”! Muitos vão botar a carapuça.