“Dormir, talvez sonhar, quem sabe?”Hamlet, Shakespeare

Você está com muito sono, deita-se e dali a cinco minutos já perdeu a consciência. Acorda no dia seguinte e, dependendo da sua idade, dá muitas graças a Deus por isso, por ter mais um glorioso dia pela frente. E se você estiver ao volante de um caminhão às 6:45, tendo dirigido por toda a madrugada?
Nunca me tinha dado conta, ao ultrapassar um caminhão, de que o motorista pudesse estar no limite de suas forças. Se não houvesse uma curva logo à frente certamente eu teria ultrapassado aquele lento veículo e sobreviria o pior. Notei que, sem aviso, ele iniciou uma manobra à esquerda como se estivesse se desviando de outro veículo. Mas foi direto ao barranco. Após bater ainda percorreu uns dez metros. As rodas traseiras derraparam e colou-se a carroceria ao barranco. A cabine do motorista torceu à direita e alguma fumaça saiu do motor, talvez fosse a água do radiador quebrado. O motorista deixou o veículo sem ferimentos mas muito pálido. O carro ficou destruído.
Já me ocorreram acontecimentos desse tipo como espectador e como envolvido, inclusive. É interessante como num curto espaço físico e de tempo você consegue apreender tudo que aconteceu. É como o indivíduo que diante da tragédia iminente vê perpassar num átimo, na sua mente angustiada, centenas de acontecimentos de sua vida.
Numa fração de segundo acontecem muitas coisas. Principalmente quando se dorme ao volante de um caminhão. Poderá ter sido apenas um pesadelo, ou a treva eterna, quem sabe?