Dezembro 2006


Vamos ao Houais:

basbaque – adjetivo e substantivo de dois gêneros
1 que ou aquele que se admira e se espanta por coisas triviais
2 que ou aquele que diz ou pratica tolices; tolo
3 simplório, ingênuo; tolo

Ontem acordei embasbacado – haviam passado a régua no Saddam e eu fiquei sem entender nada. Imaginem se tivéssemos que passar a régua em todos os nossos amigos de ontem que, por uma falha lamentável de caráter, houvessem incorrido no ilícito penal. Os americanos fazem mais que isso: sabem que seus amigos são uns tremendos pilantras, mas, a partir de suas conveniências, os transformam em trânsfugas da democracia. A relação é interminável – Saddam, Noriega, Bin Laden…
Em dezembro de 1989 os americanos invadiram o Panamá, ostensivamente com o objetivo de capturar Noriega, que está em uma prisão na Flórida cumprindo uma pena de 40 anos por tráfico de drogas. E ele já foi assalariado da CIA. Para essa pequena tarefa resultou uma contagem oficial de corpos aproximadamente em 500 panamenhos (principalmente civis) mortos, mas evidentemente fontes não governamentais estimam em milhares a mais; há também cerca de 3 mil feridos, dezenas de milhares sem lar. Mais 23 americanos mortos e 324 feridos.
Reporter: “valeu realmente a pena enviar esse pessoal para a morte? Para pegar Noriega?”

Bush: “Cada vida humana é preciosa, e se bem que eu tenha que responder, sim, valeu a pena.”

É um animal.

Saddam pagou por ter mandado executar 146 xiitas. Mas desde a invasão norte-americana e queda do regime de Saddam Hussein o que aconteceu?

“Desde que fomos libertados do regime ditatorial de Saddam Hussein, temos 12 mil mártires” nas fileiras da polícia, disse o ministro do Interior iraquiano, Jawad al-Bolani, em conferência de imprensa. E os civis, quantos morreram? No lado americano morreram 3 mil. Para Bush tudo valeu a pena.

É um animal.

O número um da Líbia, Muammar Kadhafi, criticou nesta sexta-feira à noite a execução programada do ex-presidente iraquiano Saddam Hussein, afirmando que seu julgamento foi “ilegal” e “hipócrita”.
“O tribunal que o condenou é ilegal. O Iraque é um país ocupado. Cabe às forças americanas e britânicas (no Iraque) julgá-lo e, nesse caso, se decidem executá-lo, devem assumir a responsabilidade”, apontou o dirigente líbio.

George W. Bush, afirmou que a execução do ex-governante iraquiano Saddam Hussein aconteceu após “um julgamento justo, do tipo que ele negou às vítimas de seu brutal regime” e acrescentou que a execução também é “uma mostra da resolução do povo iraquiano de avançar após décadas de opressão”.

Kadhafi tem razão. Bush é um animal. Kadhafi é um velho conhecido dos americanos. Ronald Reagan mandou bombardear seu palácio e ironizou: “se ele não está satisfeito, que me processe.”

De basbaque, derivou babaca. Com uma diferença: o basbaque é um observador do fato mas não tem participação nele. Já o babaca é conivente, observa e toma partido. E acaba votando no Lula.

PSDB questiona ação da PF em investigação de dossiê

Tribuna da Imprensa

Em nota oficial distribuída nesta tarde, o Diretório Nacional do PSDB protesta contra o inquérito final da Polícia Federal sobre o suposto envolvimento do senador Aloizio Mercadante (PT-SP), do tesoureiro de sua campanha ao governo de São Paulo, José Giácomo Baccarin, do coordenador de sua campanha, Hamilton Lacerda, e dos petistas Gedimar Passos e Valdebran Padilha na negociação entre o PT e a família Vedoin para a compra de um dossiê contra tucanos.

Na avaliação do partido, a PF surpreendeu ao indiciar apenas “personagens laterais ao episódio, meros instrumentos dos reais responsáveis”, sem citar membros da Direção Nacional do partido, da campanha eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do próprio governo. O PSDB levanta ainda a hipótese de a PF ter sido parcial na condução das investigações, tendo deixado de ter trabalhar a serviço do Estado e da população para atuar a favor de “eventuais governantes”.

Apesar de elogiar a Polícia Federal como instituição, seus profissionais e métodos de investigação, o partido questiona o trabalho da PF, que não conseguiu descobrir a origem da maior parte do dinheiro apreendido. “É difícil crer que diante dos moderníssimos instrumentos de rastreamento de linhas telefônicas e das instituições responsáveis pela fiscalização de movimentações financeiras à disposição dos investigadores, não se tenha conseguido ir além de uma casa de câmbio, inexplicavelmente ali encerrando a busca pelo caminho do dinheiro”, conclui o documento.