Este blog não está sendo atualizado. Alguns artigos poderão ser republicados em novo endereço – blog Luiz Lailo, onde estarão também os artigos ou páginas cujas publicações foram interrompidas aqui.
3 abril, 2007
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24 março, 2007
Por que andar (!) correndo? Às vezes é bom esquecer da vida. Ou lembrar da vida?
Já decidi: depois dos meus compromissos vou dar um passeio. Ontem foi dia. Resolvi visitar a Reserva Florestal de Tinguá por cima, por Miguel Pereira. Não consegui. À medida que avançava a estrada piorava. Meu carro é fraco. Resolvi não arriscar. Mas tirei algumas fotos. Aqui vão cinco delas. O Lago de Javari fica para outro post. A ponte Paulo de Frontin para um outro mais.
Senhora Vaca, quero passar!
A queda do Roncador no rio Santana, em Fragoso.
Ponte sobre o rio Santana próximo à queda do Roncador.
Onde estão minhas asas? Quero voar!
Igreja em Vera Cruz.
24 março, 2007
Acho que já escrevi a respeito, não tenho certeza. Mas no terceiro ano do curso primário, que me lembre, os alunos recebiam merenda da prefeitura do município. Mas nem todos. Só os que eram considerados pobres, filhos de operários. Meu pai era motorista de caminhão, eu era considerado rico, vejam só. Mas essa discriminação não me atingia nem me magoava, embora devesse fazê-lo. Geralmente a merenda era pão com mel. E eu detestava pão com mel. Mas por que me lembro disso? Não me magoou mesmo? Acho que não. Apenas acrescentou ao meu caráter mais algumas qualidades de discernimento, mais algumas observações e análises a respeito da vida e das pessoas.
Meu pai começou trabalhando com um caminhão à frete. Carregava tijolos, areia, e até laranjas do enorme laranjal que antigamente era Nova Iguaçú. Depois passou a viajar por todo o Brasil. Eu gostava quando ele entregava as revistas da EBAL (Editôra Brasil América Ltda), que fez parte da minha infância. Sempre vinham algumas revistas de histórias em quadrinhos para mim. A EBAL mantinha estreito contato com seus pequenos leitores. Cheguei até a enviar alguns desenhos meus para eles e obtive palavras de incentivo.
Alguns amigos meus não puderam continuar os estudos. Aqueles que ganhavam a merenda de pão com mel, realmente seus pais não tinham como financiá-los. Eu fiz o curso ginasial. Pago. A mensalidade nunca atrasou. Daí pra frente foi comigo. Entrei na Escola de Aeronáutica, depois na Escola Nacional de Engenharia. Meu pai nunca mais precisou pagar nada para mim. Eu sou inteligente. Não aquela inteligência de ganhar dinheiro. Essa infelizmente eu não tenho. No concurso que fiz para a Petrobrás eu não estudei. Não havia o que estudar. Entrei no grito. E no concurso interno para programador também entrei no grito. 800 candidatos, passaram 200. Na fase seguinte passaram 36. Mais uma prova. Foram aprovados 22. Após três meses de aulas foram admitidos na empresa apenas 15. Os outros sete foram chamados três meses depois. Eu fui o décimo colocado.
Após 19 anos fui aposentado pela empresa. Não fui um modêlo de funcionário, talvez por dois motivos que não quero explicitar aqui.
O destino é caprichoso. Achei que ao me aposentar iria para a Bolsa de Valores para comprar e vender ações. E olhem que não tinha boas recordações da Bolsa. Perdi muito dinheiro lá. Acabei como queijeiro. Mas isso é outra história.
Resumo da ópera: não me tornei um grande cientista, um engenheiro, um analista de sistemas da Petrobrás. Mas estou vivo, enxergando, não perdi a visão. Vejo as roubalheiras que estão sendo cometidas cotidianamente. Por que meus amigos não vêem? Porque não querem ver, acredito que sim. Acham eles que estão comendo pão com mel? Eles votaram no hôme. Quando irão descobrir que estão comendo pão com fel?
20 março, 2007
Com o título acima li na Folha de São Paulo de 16/3 um texto impressionante. Quando você pensa que já viu tudo é surpreendido.
Normalmente, quem perde uma eleição conforma-se em desempenhar o papel de opositor e, quatro anos depois, volta a disputar o cargo. O grupo político do senador José Sarney, porém, resolveu inovar e, após ter sido derrotado no Maranhão, pretende criar um Estado novinho em folha para gerir.
No ano passado, Roseana Sarney (PMDB) perdeu o governo para Jackson Lago (PDT), na primeira grande derrota do clã em 40 anos. Ato contínuo, o senador Edison Lobão (PFL) propôs e conseguiu que a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovasse a realização de um plebiscito sobre a fundação do Maranhão do Sul.
Se a iniciativa não for oportunamente barrada no Senado ou na Câmara, logo os maranhenses estarão votando a instituição do 28º Estado do país, com capital em Imperatriz. Se a proposta for aprovada, bastará ao Congresso votar uma lei complementar e, como num passe de mágica, a estrutura dos três Poderes do Maranhão será duplicada.
E, acreditem, nos escaninhos do Congresso há projetos para a criação de
pelo menos sete novos Estados e três Territórios federais. Assinantes do UOL e da Folha lêem mais aqui.
20 março, 2007
Invenção do Mar
Gerardo Mello Mourão
História 368 páginas
Formato: 14 x 21cm
ISBN: 8501050229
Eu não conhecia Gerardo Mello Mourão. Mas lendo a coluna do Sebastião Nery na Tribuna da Imprensa soube um pouco de sua biografia.
Em páginas da internet li que foi indicado ao Prêmio Nobel de Literatura em 1979. Escritor, jornalista, foi correspondente da Folha de São Paulo de 1980 a 1982.
Intelectual de cultura impressionante, modesto e simples, falava holandês, chinês, latim, grego e os rotineiros francês, inglês, espanhol e italiano.
Marxista convicto, foi preso, teve os direitos políticos cassado e foi exilado duas vezes. A primeira pela ditadura do Estado novo e a segunda após a revolução de 1964.
Dele se dizia ser o Dante da literatura brasileira, ou o Camões. Não é pouca coisa.
Há ainda declarações de Carlos Drummond de Andrade:
“O grande poeta de Minas Gerais não sou eu: – é o espantoso poeta Dantas Mota.
O grande poeta do Brasil também não sou eu: – é o nordestino Gerardo Mello Mourão. Sempre sonhei chegar à poesia a que ele chegou. Não tive força. Ele teve.”
Ezra Pound disse:
“Tudo o que desejei foi escrever, em ritmo próprio, a partir de metros de Homero e de Propércio, foi uma epopéia da América. Não o terei conseguido. Quem o conseguiu, na medida do que sonhei, foi um poeta brasileiro, Gerardo Mello Mourão.”
O poeta, escritor, jornalista e ex-deputado federal cearense Gerardo Mello Mourão faleceu aos 90 anos, na última sexta-feira (9/3/2007).
17 março, 2007
Ontem, 16 de março, meu amigo e xará Luiz me presenteou com dois queijos de sua queijaria. O frescal usamos no café. Esse queijo já fez a alegria de muitos funcionários da Petrobrás. Eu vendia cerca de 200 queijos de meio quilo nos anos 90 e muitos de 1 quilo. Havia um freguês, ou melhor, um funcionário de um freguês que pedia assim: um sêco e um na pôça. O sêco era o meia cura de Paraíba do Sul, o na pôça era o frescal de Miguel Pereira, do meu amigo Luiz, Sítio Solidão, que vinha com um pouco de sôro.
O outro presente foi um queijo mussarela bolinha temperado, que está esperando sua ocasião.
Em sua loja encantei-me com um queijo curado, com cheiro de manteiga, R$ 15,00 o quilo. Hoje abri um Casa Perini Tanat, algumas códeas de pão e o queijo do meu amigo, o curado, às 10 horas. Às 13 horas o vinho acabou. Eu adoto a política de terra arrasada. A primeira coisa que faço é jogar a rolha fora.
Veio o almoço. Comida de pobre. Arroz, feijão, bife, salada, inhame. Água? Não, não sou tão pobre assim. Abri um Courmayeur cabernet franc, bem inferior ao tanat Casa Perini. Atravessou o almoço e está dando suporte a mais umas porções do queijo curado. Pronto, acabou. O vinho. O queijo ainda não. Mas de amanhã não passa.
17 março, 2007
PMDB se exime e Lula cogita rever indicação de Balbinotti
Petista elogia “jeitão” de fazendeiro, mas pede 48 horas para confirmá-lo ministro
Diante de denúncias contra deputado, Michel Temer disse ontem ao presidente que partido tem outros nomes para a Agricultura.
Apesar de ter dito que gostou “do jeitão” de Odílio Balbinotti, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ontem ao comando do PMDB 48 horas para decidir se mantém ou não a indicação do deputado para o Ministério da Agricultura.
Em reunião ontem com o presidente do PMDB, Michel Temer (SP), Lula acertou de ambos voltarem a conversar depois de amanhã. Diante das últimas notícias divulgadas sobre Balbinotti, Lula decidiu aguardar o noticiário dos próximos dias para confirmar em definitivo o deputado federal do PMDB do Paraná na pasta.
Após o final de semana, Lula e dirigentes do PMDB vão avaliar se será o caso de substituir Balbinotti antes mesmo de sua posse, prevista para quinta.
Lula, está em dúvida? Se socorra da letra de uma música do seu amigão Chico Buarque:
“Acorda amor
Eu tive um pesadelo agora
Sonhei que tinha gente lá fora
Batendo no portão, que aflição
Era a dura,
numa muito escura viatura
Minha nossa santa criatura
Chame, chame, chame lá Chame,
chame o ladrão, chame o ladrão…”
É isso. Chame o ladrão!
13 março, 2007
Regularmente recebo relatórios do Sitemeter ainda dos meus blogs antigos. Um deles, o Borrocando, não tem nada de novo desde 12 de setembro de 2006 mas como o tema arte é sempre atual lá estão leitores que vão através de programas de busca como o Google ou seguindo links encontrados em outros blogs.
Só pra agitar um pouco lá vai um desenho feito no dia 2 de novembro de 1961 com lápis no. 1. Não é nenhuma pessoa famosa. É apenas uma modêlo que vi numa secão de modas de uma revista da época.
11 março, 2007
Sei que tenho o disco mas não sei quem canta “I sold my soul to rock’n'roll. Há quem venda sua alma a uma grande paixão, sem medos, sem medidas. Outros são mais comedidos. Reconhecem ser a internet uma coisa maravilhosa mas não venderiam sua alma a ela. Isso ouvi de um amigo bissexto. Bissexto? Ou duplo bissexto, ou triplo bissexto? Não importa. Amigos são para sempre. Um dia você liga para ele e ele diz: puxa vida! Caramba! E até promete te visitar. Não se deve ficar ansioso. Pode ser que ele venha. Se não vier você liga novamente e está tudo certo.
Pior é quando você liga e ele não está lá. É mais triste do que quando ele liga e você não está aqui.
Há pessoas que não esquecem o passado. O passado é o seu presente e isso lhes dá forças. Tenho um amigo com espírito de detetive. Ele descobre o paradeiro de todos os amigos da infância. Quando quero falar com alguém recorro a ele. Sua frustração é não ter contactado o Ailson, que pode até estar do lado de lá.
Eu tenho vontade de ir à minha cidade natal, que tem um nome poético: Bom Conselho. Fica no agreste de Pernambuco. Certamente encontrarei apenas a cidade. Os cidadãos não serão os que conheci há algum tempo. Quem sabe um desses bom-conselhenses não acha meu blog e deixa um comentário com o endereço de e-mail para conversarmos.
I sold my soul to internet e não tenho medo.
10 março, 2007
E o homem caiu no samba. Vendo essa fisionomia democrática pensei em um fato ocorrido no início dos anos 60. Havia um oficial não muito simpático aos seus comandados. E num dia de festa, quando compareceram familiares dos oficiais, esposas, filhos, um cadete comentou: ele não deve ser má pessoa. Vejam como é carinhoso com seus filhos. Ao que outro cadete retrucou: já viu como o leão é carinhoso com os leõezinhos? Agora vá você chegar perto dele…
Será que no Iraque há crianças que gostam de samba?